A Doença de Parkinson (DP) é uma condição neurológica crônica e progressiva que afeta principalmente o controle dos movimentos. Apesar do receio que o diagnóstico costuma gerar, é fundamental esclarecer: Parkinson não significa perda imediata de autonomia. Com acompanhamento adequado, muitos pacientes mantêm qualidade de vida por muitos anos.
Neste artigo, explico de forma clara e baseada em evidência científica os principais aspectos da doença, incluindo tratamentos clínicos e opções cirúrgicas avançadas.
▶ Vídeo explicativo sobre Doença de Parkinson
Para uma explicação direta e acessível sobre o impacto real do diagnóstico, assista ao vídeo:
O que é a Doença de Parkinson?
A Doença de Parkinson é um transtorno neurodegenerativo caracterizado pela perda progressiva de neurônios dopaminérgicos localizados na substância negra, estrutura fundamental dos circuitos motores dos núcleos da base.
A dopamina atua como um modulador fino do movimento. Sua redução provoca lentificação e dificuldade na execução dos movimentos voluntários, de forma semelhante a um sistema de controle que perde precisão e velocidade de resposta.
Principais sintomas do Parkinson
Sintomas motores
- Bradicinesia (lentificação dos movimentos) – sintoma central
- Rigidez muscular
- Tremor de repouso
- Alterações posturais e da marcha (mais comuns em fases avançadas)
Sintomas não motores
- Distúrbios do sono
- Constipação intestinal
- Alterações do humor (ansiedade e depressão)
- Fadiga
- Alterações cognitivas em fases tardias
📌 A apresentação clínica é variável. Nem todo paciente apresenta todos os sintomas, e a progressão é individual.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico da Doença de Parkinson é essencialmente clínico, baseado em:
- História detalhada
- Exame neurológico
- Identificação de bradicinesia associada a pelo menos outro sinal motor típico
Exames como ressonância magnética são utilizados para excluir outras condições. Em situações específicas, exames funcionais (como DAT-Scan) podem auxiliar no diagnóstico diferencial.
Tratamento medicamentoso
O tratamento inicial é clínico, utilizando medicações que:
- Repõem dopamina
- Aumentam sua disponibilidade cerebral
- Melhoram a comunicação dos circuitos motores
Com a evolução da doença, é esperado que ocorram:
- Ajustes progressivos de dose
- Associações medicamentosas
- Flutuações motoras e discinesias
📌 Esses ajustes fazem parte da história natural da doença e não caracterizam falha do tratamento.
Quando considerar tratamentos avançados?
Tratamentos avançados são considerados quando o paciente apresenta:
- Flutuações motoras importantes
- Discinesias limitantes
- Resposta irregular ao tratamento clínico otimizado
Nesses casos, uma avaliação especializada é fundamental.
Cirurgia para Parkinson: Estimulação Cerebral Profunda (DBS)
A Estimulação Cerebral Profunda (Deep Brain Stimulation – DBS) é a principal opção cirúrgica para pacientes com Doença de Parkinson bem selecionados.
Como funciona a DBS?
- Implante de eletrodos em núcleos profundos do cérebro (como o núcleo subtalâmico ou o globo pálido interno)
- Modulação elétrica dos circuitos motores disfuncionais
- Funcionamento semelhante a um “marca-passo cerebral”
Benefícios comprovados
- Melhora significativa do tremor, rigidez e bradicinesia
- Redução de flutuações motoras
- Diminuição da necessidade de medicações em muitos casos
- Melhora funcional e da qualidade de vida
📌 A DBS não cura a Doença de Parkinson, mas é uma ferramenta altamente eficaz quando indicada corretamente e realizada por equipe experiente.
Importância do acompanhamento especializado
O manejo da Doença de Parkinson deve ser:
- Individualizado
- Baseado em evidência científica
- Conduzido por equipe com experiência em distúrbios do movimento e neurocirurgia funcional
Cada paciente possui uma trajetória única, e a escolha do melhor tratamento depende do impacto funcional, perfil clínico e expectativas individuais.
